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Um Board digital, já pensou, já olhou?

Transformação digital são as 2 palavrinhas mágicas do mundo corporativo e, claro, das empresas que querem participar da festa (ou do velório) de alguma maneira.

Tudo o que puder se digitalizado, será!

Não sou eu quem diz, muitos dizem. Faz tempo que dizem. Discutir se isso tudo é bom ou ruim, se custa mais ou menos, se vale a pena ou não, se é mais complexo, ou mais inseguro, ou mais isso ou aquilo, me soa com a melhor maneira de perder um tempo enorme com a pergunta errada! Ou, muitas, se auto-enganar para ganhar tempo para não fazer nada!

Outra discussão semântica que me enlouquece é se as empresas “legacy” devem se transformar ou mudar, ou evoluir, ou se reinventar ou se adaptar ou….

Seja lá a palavra que você preferir, cara pálida – você escolhe! – o fato é que ou muda ou morre.

E rápido!

Outra coisa que vejo uma infinidade de discussões é se a coisa é top down, bottom up ou transversal. Ou ainda se o que mais funciona é criar uma estrutura a parte que, depois de dar certo, “come” a estrutura mãe!

Aqui as discussões não são semânticas, nem triviais, nem definitivas. Isso sem é muito importante. Existem muitos estudos que vale se aprofundar. Procure em locais como Harvard Business Review (aqui um deles), Mckinsey (aqui outro estudo), entre muitos outros. Vale procurar, tem muita coisa boa, free e disponível. Minha visão e minha experiência mostram – o que NÃO significa que estou certo! – que os maiores resultados acontecem numa estratégia mais guerrilha, ou seja, mais à parte, fazendo uma coisa menos mainstream que, depois que der certo, contamina a casa mãe! Isso não é uma formula que se aplica a tudo e a todas as empresas, mas é como vejo a vida prática e muitos estudos.

Recentemente tive a honra de ser convidado para me tornar membro do Conselho do C.E.S.A.R e pude comprovar na prática uma coisa que eu percebia de fora: se entre as mentes que dirigem a empresa no longo prazo, que são responsáveis pela visão de futuro da companhia – que normalmente sentam no Conselho – não tiver gente com mindset digital (pensamento lean, exponencial, beta, fail fast, etc.), seja qual for a palavra que a empresa use, seja qual for o método de mudança que ela adote (mesmo os mais guerrilha, que eu gosto), muito, mas muito pouco mesmo (se algo) vai mudar nos rumos da organização!

Não estou dizendo que só acredito nas coisas top down, não é isso! Estou dizendo sim que se no Conselho, não existir ninguém que entenda de verdade o que é um mindset digital (não falo de disciplinas ou ferramentas, me refiro a um pensamento digital) e defenda as iniciativas de mudança da empresa, sejam chamadas de transformação ou mudança, sejam pensadas top down, transversais, ou mesmo mais hackers, no final das contas, na hora do vamos ver, nada acontecerá!

Qualquer mudança, mesmo que super hacker, precisa no mínimo de patronos e um CEO transformador, certamente precisa de apoio pra errar, pra experimentar, para andar rápido e para se permitir repensar o que der errado.

Se você ajuda a montar o Board da sua empresa, pense nisso! Procure mentes digitais para que esses defendam o novo, puxem a régua na direção da inovação e influenciem o seu Conselho e, portanto, o futuro do seu negócio!

Se você vai trabalhar numa empresa que quer se reinventar, e estão te dando essa missão, dá uma olhadela no Board! Se não tiver ao menos uma cabeça com mindset digital por ali, eu olharia outra empresa para esse desafio!

 

Texto publicado originalmente no LinkedIN (aqui)

 

“Sobre exponencialidade: não caia no hype, please. Mas não ignore tudo o que está acontecendo à sua volta”

por Bob Wollheim

Participei essa semana do Global Summit da Singularity University, em São Francisco, e o Projeto Draft me convidou para dividir com vocês meus learnings e minha experiência (honra Adriano, obrigado!), então, aqui estou. Espero ser útil!

Antes de começar, gostaria de colocar algo que digo para todo mundo sobre qualquer evento:

E que você tira de um evento é VOCÊ QUEM TIRA!

Nenhum evento do mundo te “dá” nada! No máximo, te oferece um conjunto de conhecimentos, provocações, ideias, pensamentos e network, para que você processe seu metabolismo, faça a ponte com sua vida, carreira ou empresa

Você é quem faz a sua fotossíntese! Nada vem pronto!

Você transforma a ida a um evento num grande momento para você.

Ou não!

Dito isso, para mim o GS da SU foram excelentes três dias para um belo reality check, umreboot, um rethink.

Como o próprio nome diz – Summit – não se trata de um evento para aprofundamento, para transferência de conteúdo e conhecimento intenso, mas sim para uma grande provocação para reflexão e, como tal, foi muito interessante.

As palestras, papos, debates, etc., estão online na página da SU no Facebook.

Esse tal de exponential

Uma das palavras mais ouvidas ao longo dos três dias – e imagino que em tudo que a Singularity faz – é a tal da exponencialidade. Se fala tanto disso, que a coisa toda às vezes soa como uma fixação, quase um mantra que tentam nos incutir e fazer a gente absorver por osmose.

É preciso ter cuidado para não sair daqui repetindo esse mantra sem refletir o que ele realmente significa, ou mesmo cair na armadilha de virar um “trend hunter super cool” que sai falando por aí de exponencialidade, sem nem saber direito o que você está dizendo!

Pensando assim, o que me provocou a uma boa reflexão é menos o poder da exponencialidade em resolver tudo (a Singularity às vezes nos deixa um pouco com essa sensação, de que com um conceito, tudo se resolve!) mas sim a constatação de que, independentemente da palavra que se use, o fato que o mundo está mudando rápido é impossível negar. Muito rápido.

E que, com essas mudanças aceleradas, muitos ciclos — como o educacional, o de produtos e serviços, o de gestão, o empresarial, o corporativo, quase todos os nossos ciclos na vida — estão sendo questionados por serem lentos, pensados para tempos mais lentos e da revolução industrial (era que estamos saindo) e, em alguns (muitos) casos, totalmente ultrapassados.

Goste-se ou não, a exponencialidade existe

Se mudar o nosso mindset para um exponential mindset resolve tudo é outra questão, bem mais complexa. Mas, certamente, ignorar tudo isso é enfiar a cabeça na terra e não ver, no mínimo, uma enorme oportunidade que passa na nossa frente nesse momento. Sem falar na chance de se estar perdendo o bonde de vez!

Como o Brasil tinha a maior delegação no evento (cerca de um terço dos mais de 1 600 participantes), ouvi muitas opiniões, comentários e impressões.

Dos participantes mais “tradicionais”, ouvi coisas na linha “Ah, mas a gente continua comendo, dormindo, fazendo amor”, meio que tentando auto negar as provocações, o que me soa como algo tenso em mundo mudando tão rápido. Não se pode aceitar tudo como fato, como verdade, mas entrar em um processo de negação, tem um resultado líquido e certo: o fracasso!

Dos super engajados, por outro lado, parece que encontraram a solução para mundo como se “be exponential will solve everything”. Não vai!

Tento ponderar, equilibrar. Já sabemos que não existem fórmulas definitivas para um mundo tão complexo, político e intrincado como o nosso mas, por outro lado, vi em muitas iniciativas mostradas e discutidas ao longo do evento uma oportunidade real de repensarmos muitas coisas: do planeta à nossa vida, das organizações aos governos, dos paradigmas e verdades atuais, a novas perguntas e dúvidas.

Escrevo este texto do avião com várias decisões tomadas, pequenas mas importantes, e várias atitudes, também pequenas mas também importantes, que vou implementar a partir de amanhã.

Micro mudanças implementadas me parecem muito mais efetivas que grandes decisões que ficam na esfera da intenção!

Uma série de pequenas mudanças me parecem também capazes de gerar uma mudança exponencial em nossas vidas. My two cents of wisdom, Singularity! 

Refletindo sobre tudo isso, penso que a experiência vale muito a pena. Se você não veio, assista às palestras online, com a vantagem de poder fazer um fast forward do que não te parecer útil. Selecione o que mais te interessa, invista um tempo de qualidade e faça a sua “conexão dos pontos” com o que vir e ouvir.

O outro lado

Naturalmente, este é um evento que se propõe a vender a Singularity University, suas pessoas, seus programas, e isso é feito de uma maneira tão explícita que em alguns momentos fica over. Eles deveriam saber que “não vender” é a melhor maneira de vender. Afinal, that’s exponential! Isso tira o valor do evento? Não, na minha opinião, mas poderiam trazer mais conteúdo, o que agregaria ainda mais valor a SU do que vendê-la diretamente.

Outra coisa é que faz falta de um pensamento mais crítico, ou autocrítico, em relação à própria Singularity. Vários conteúdos e palestrantes não são da SU, muita coisa relevante e interessante foi discutida vindo de fora do ecossistema Singularity, mas a vontade de “vender” a SU o tempo todo, me parece, inibe um pouco o pensamento autocrítico. Nada que, de novo, tire o brilho do evento, mas valeria um ajuste.

Resumo geral

De uma maneira geral (releia o 2º parágrafo), recebi o que imaginava.

Se você está procurando repensar a sua vida, sua carreira ou mesmo a sua empresa, vale dedicar um tempo para ver os conteúdos que estão online e refletir.

Apesar de parecerem fórmulas de sucesso, elas não são! Apesar de alguns conteúdos merchan, tem muita coisa boa! Apesar de um certo feeling de autoajuda e autorreferência, tem convidados com histórias fantásticas que você precisa conhecer, mil links de empresas, iniciativas e coisas muito interessantes e uma vibe que, sim, pode te ajudar a decidir seus passos, suas mudanças e os rumos que quer dar pra sua vida!

Seja crítico, claro.

Faça o proxy com o seu momento, se não é tempo jogado fora.

Não caia no hype, please. Mas não ignore tudo o que está acontecendo à sua volta

Na Study Tour que fizemos no Youpix (aqui tem um resumo dos aprendizados) ouvi um conceito que me marcou muito, e que acho que resume muito bem o meu pensamento em relação a tudo o que vi aqui nesse Global Summit da Singularity: the greatest risk is the Cost Of Ignoring (COI).

O mais importante não é discutir o ROI do evento mas sim o COI!

O maior risco é ignorar tudo o que está acontecendo a sua volta e não repensar nada, seja em como quer educar seus filhos, seja na sua própria formação, seja na sua carreira, seja na sua própria empresa!

 

 

Texto originalmente publicado no ProjetoDraft (aqui)